Por que match por cargo e setor falha
Cargo diz posição na hierarquia; setor diz mercado. Nenhum dos dois diz o que a pessoa precisa agora, que é a única informação capaz de decidir se uma conversa vale a pena. Pior: agrupar por setor junta concorrentes e separa complementares — o oposto do que uma boa conexão exige.
O que um cargo não conta
Dois diretores comerciais de empresas do mesmo porte podem estar em situações opostas: um precisa de canal, o outro precisa de estrutura para dar conta da demanda que já tem. O cargo é idêntico; a necessidade é incompatível.
O crachá reproduz isso no mundo físico. É a informação disponível, e é por isso que a conversa de evento começa sempre por “o que você faz?” — pergunta que consome os primeiros cinco minutos sem produzir nada.
Por que agrupar por setor piora
| Agrupamento | O que produz |
|---|---|
| Mesmo setor | Concorrentes na mesma mesa; conversa cordial e improdutiva |
| Mesmo porte | Mesmas dores, nenhuma solução entre eles |
| Mesma região | Útil para logística, irrelevante para encaixe |
| Necessidade × capacidade | Pares improváveis e úteis |
O que usar no lugar
A pergunta que substitui as duas é: que problema você tem hoje, e que problema você resolve? A partir daí o encaixe é verificável — e é o que chamamos de complementaridade.
Onde cargo e setor ainda servem
Como filtro secundário. Se um fornecedor só atende indústria, o setor evita apresentação impossível. O erro é usá-lo como critério primário, e não como restrição.